domingo, 9 de outubro de 2011

Entrevista: Amaro Vaz.







Galera que acompanha o Blog Pensar e Fazer Música, é com muito prazer que damos início a este projeto de divulgação dos músicos e bandas de Brasília e postamos a primeira entrevista  com um grande músico do cenário musical da cidade: o baterista Amaro Vaz.
Sua formação musical começou ainda na infância, incentivado pelo pai, o pianista José Cabrera. Amaro se formou pelo Instituto de Bateria Bateras Beat, onde foi aluno dos professores Mauricio Barbosa e Dino Verdade. 
O talento de Amaro Vaz não ficou somente em Brasília. Logo o baterista foi para São Paulo, onde firmou-se no rol dos grandes bateristas. Tocou com excelentes músicos, como Claudio Zoli, Negra Li, Paula Lima, Vanessa Jackson, Léo Maia e Bruno Dourado. Gravou vários discos, participou de produções de renome, da gravação do DVD do pianista José Cabrera e mais recentemente do DVD Música Negra Brasilieira.
Amaro é um músico notável, tocando jazz, samba, rock, soul e vários outros estilos musicais. Participou da homenagem aos 50 anos da bossa nova, no Feitiço Mineiro. Gravou o programa Som Brasil da Rede Globo em homenagem a Ataulfo Alves com a banda Ataque Beliz. O crescente sucesso de Amaro em sua trajetória o consagrou endorser da Power Click e das Baquetas Alba.  
Em Brasília, Amaro continua seus trabalhos como professor de bateria e como músico profissional. Toca na banda Mr. Quai, cover da banda Jamiroquai (da qual, aliás, sou um grande fã), com a cantora Thais Uessugui, com o cantor Rogério Midlej, José Cabrera Trio, Ataque Beliz, Cipriano e na banda Magoo, que agita as noites de Brasília.
Hoje, além de ótimo músico Amaro é marido, pai e estudante de publicidade e propaganda. São várias funções, vários estilos de vida que se concentram em um cara muito gente boa e divertido. Se fossemos falar sobre todos os trabalhos realizados por esse batera, iríamos gastar várias horas. Então vamos à entrevista:

PEFM: Amaro, sabemos que você passou uma temporada em São Paulo, cidade considerada a capital cultural e musical do país. Há realmente esse abismo no incentivo à música quando comparamos São Paulo à Brasília?
 
Amaro Vaz: A verdade é que São Paulo é uma cidade enorme e, como toda cidade enorme, tem uma quantidade enorme de bons profissionais e não poderia ser diferente na música. São excelentes músicos, bem preparados para qualquer tipo de trabalho e isso faz com que a competitividade seja maior que em Brasília. Já Brasília por ser menor, faz com quem esteja bem preparado se estabeleça no mercado. Sinto que os músicos aqui são mais parceiros. Quando cheguei a São Paulo achei que estava bem preparado, mas não foi bem assim. Fiquei mais ou menos um ano estudando muito e me preparando, dando canjas na cidade para poder mostrar um pouco do meu trabalho. Ouvi muita crítica construtiva e conselhos de grandes músicos que me ajudaram a ser hoje o músico que sou.




PEFM: Dentre os vários projetos dos quais participou e os vários artistas com quem você tocou, o que foi mais relevante no seu aprimoramento como baterista?

Amaro Vaz: Eu defendo a seguinte tese: Todos os músicos com os quais eu tive oportunidade de tocar me ensinaram alguma coisa e contribuíram para meu crescimento profissional. Posso começar pelo meu pai José Cabrera (pianista) que sempre me mostrava músicas e artistas diferentes, me deu aulas de piano e, como tinha o Cabrera em casa, sempre assistia aos ensaios dele em casa e com isso fui aprendendo com os grandes da cidade. Leander Motta, Erivelton Silva, Nelsinho, Hamilton Pinheiro, Romulo Duarte, Anderson Santos, André Vasconcelos e isso sem contar a oportunidade de crescer dentro de estúdios de gravaçãoo aprendendo muito e sempre.


PEFM: De volta a Brasília, você encontrou dificuldades para continuar seu trabalho como músico? Quais?

Amaro Vaz:  Na verdade não. Em Brasília estou cercado de grandes amigos que são também excelentes músicos e com isso voltei ao mercado quase que imediatamente. A única coisa que dificultou um pouco foi que tive que esperar novas oportunidades de trabalho pois alguns trabalhos que eu tinha aqui quando saí já tinham bateristas competentes que haviam assumido o meu lugar.




PEFM: Amaro, voltando um pouco ao passado, como você dividia o tempo para os estudos no colégio e o estudo na batera? Quais os conselhos você dá para a galerinha que está começando a tocar e tem que manter as boas notas na escola?

Amaro Vaz: Então, essa parte é um probleminha. Eu comecei a estudar muito cedo e tinha que dar um jeito de dividir o tempo entre escola e música. O problema é que eu nunca dividi 50-50, na verdade eu dividia 70-30 (70 música e 30 escola). Reprovei algumas vezes por conta dessa divisão errada de tempo.
O Conselho que eu posso dar pra galera que está começando agora e que ainda está na escola é o seguinte: Dá tempo de fazer as duas coisas e conciliar o tempo igualmente de forma a não deixar de atender nenhum dos dois lados. ESTUDEM MÚSICA, MAS ESTUDEM PRA ESCOLA. CONHECIMENTO NUNCA É DEMAIS!


PEFM: Como professor de música, você se preocupa com o ensino mais formal, como ler partituras, intervalos e solfejo? Aprender bateria dispensa o estudo de teoria musical?

 Amaro Vaz: Sempre que trabalho como professor, antes de mais nada, pergunto qual o objetivo do aluno e o que ele espera do estudo. Se ele quer ser músico e viver disso aí eu levo mais a sério, cobro mais e me aprofundo mais na matéria, mas se o caso for diferente como alguém que busca só descontração ou estuda pela curiosidade de saber como é tocar um instrumento eu cobro menos, mas nunca de forma que o faça um mau baterista!


PEFM: Meu caro, com tantos feitos como baterista profissional, ainda há muitos sonhos para realizar?  Poderia citar um exemplo?

Amaro Vaz: Milhões de planos e sonhos. Tocar em um evento com um artista internacional, conhecer o baterista Quest Love do TheRoots. São tantos que se eu resolver citar todos a entrevista acaba agora (rs)


PEFM: No mês de setembro você gravou o DVD Música Negra Brasileira do Cipriano. Como foi gravar esse DVD? Dá muito trabalho?

Amaro Vaz: O DVD Música Negra Brasileira foi uma outra escola. Primeiro passamos por um mês corrido de pré produção, arranjo e concepção das músicas. Eram dois ensaios de 3 horas por semana onde não havia muito tempo para brincadeiras pois tínhamos que montar 12 músicas e pensar nas participações especiais que chegariam apenas nos dias de gravação do DVD (Izzy Gordon, Marcelo Mira, Walmir Borges, Robinho e Moisés Alves Paraibach).
Nos dias da gravação do DVD (foram 3 ao todo – um de montagem e passagem de som e 2 de gravação) a gente se concentrou em deixar o som bem acertado, afinal éramos 2 Guitarras, Teclado, Cavaco, Bateira, Percussão, 3 Backing Vocals, e um MC convidado além do Cipriano. 6 Câmeras e um total de 50 pessoas no set de gravação. Se deu trabalho? DEU. Foi prazeroso? MUITO. E isso sem contar que tocar ao lado de Paulo Góes (guitarra) Jadão (Baixo) Ted (Teclado) é fantástico pois são excelentes músicos que trabalham para a música e isso fez toda a diferença no desenrolar do trabalho.


PEFM: Com relação a equipamentos, qual batera você usa nos shows e gravações?
 
Amaro Vaz: Desde 1998 estou usando a mesma bateria para shows e gravações: Uma Yamaha Recording Custom 9000 que é a top de linha da Yamaha há mais de 30 anos.
Este ano, com o fim do contrato com a Orion Cymbals, passei a usar pratos Sabian. O kit é composto por: Legacy Crash 18” Vault Fierce Crash 16” Dry Ride 21”Maxi Splash 9”e um Hi-Hat Artisan 14”
Atualmente sou patrocinado pelas Baquetas Alba e Power Click In Ear Monitor.


PEFM: Acompanho seu blog (http://raroblogdoamaro.blogspot.com/) e lá você tem espaço para escrever sobre suas aspirações, angústias e medos. O último post revelou algo desmotivador: o fato de não conseguir viver de música em Brasília! Como você está encarando isso?

Amaro Vaz: Na verdade foi um desabafo. Não que seja impossível viver de música em Brasília, mas é mais complicado do que viver de música em São Paulo, por exemplo, e hoje como tenho meu pequeno João Vicente, as necessidades da casa mudaram um pouco e eu preciso de um pouco mais de receita. Continuo sendo mais baterista do que qualquer outra coisa, mas se fez necessário um adicional.


PEFM: Você vem de uma família de grande tradição musical. Agora que você também é pai, vai incentivar seu filho a seguir o rumo da música?

Amaro Vaz: Acredito que todo pai deva influenciar o filho positivamente independente da profissão que o pai tenha e menos ainda da profissão que o filho escolha ter. Acho que mais que incentivadores nós pais precisamos ser apoiadores e formadores de caráter. Um ser humano do bem certamente será bem sucedido no que escolher fazer da vida.


 

É isso aí pessoal, essa foi a entrevista com um grande músico de Brasília. Para conhecer mais um pouco sobre a carreira do nosso amigo Amaro Vaz, você pode acessar os links abaixo com vários vídeos e músicas. Não se esqueça de deixar o seu comentário e siga nosso blog para ficar por dentro do que acontece em Brasília e no mundo da música. A entrevista da próxima semana será com o Cantor Saulo Sena. Aguardem e acompanhem. Obrigado a todos!




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